quarta-feira, 1 de janeiro de 2014
POR QUE OS BRASILEIROS PREFEREM VIAJAR PARA O EXTERIOR?
Primeiro, porque são inteligentes.
Se podem pagar menos por hotéis e serviços infinitamente superiores, por que não?
Se podem concentrar suas compras em países que oferecem maior qualidade por preços impressionantemente mais baratos, por que não?
Brasileiros preferem viajar para o exterior, porque viajar no Brasil é um tormento, por terra ou pelo ar. Nossas estradas, nossos aeroportos e nossas companhias aéreas são sofríveis. Nosso Governo nos sufoca com impostos que desestimulam o espírito empreendedor, tornam praticamente impossível conciliar bom trabalho com preço razoável, punem quem se atreve a gerar empregos com encargos insuportáveis. Não há como resistir à tentação de escapar para cenários menos hostis.
Brasileiros viajam e gastam muito no exterior porque são expulsos daqui pela insaciabilidade de um Governo que, tendo as bênçãos da natureza para atrair turistas de todo o mundo pra cá, insiste em solidificar a fama de destino caro. Tão caro que nem nós aguentamos, e tão vocacionado para a opressão que o Governo prefere aumentar as taxas de quem viaja pra fora, em vez de aliviar as taxas de quem viaja pra dentro.
Como li num artigo, não me lembro de quem, só compra em Miami quem não é suficientemente rico pra fazer compras no Brasil.
* (foto buscada no Google, autoria desconhecida)
segunda-feira, 30 de dezembro de 2013
ALGUMA COISA SE QUEBROU EM 2013.
Quebrou-se o silêncio do povo brasileiro em relação ao descaso dos poderes públicos. Quebraram-se vitrines, prédios públicos, ônibus, e com eles a nobreza inicial das manifestações. Quebrou-se um pacto de civilidade que nos fez retroceder na história. Quebrou-se o respeito entre os poderes públicos, com o Executivo tentando transferir todas as mazelas do mundo para o Legislativo e principalmente o Judiciário. Além, é claro, da imprensa.
Quebrou o pau por todo lado. Entre torcedores (criminosos) de futebol, como nunca havíamos visto. Entre atletas de um negócio chamado UFC, que nos remete de volta ao Coliseu.
2013 foi um ano de quebradeira. Nem o Eike Batista escapou.
De positivo, só a quebra do velho tabu de que político no Brasil nunca vai pra cadeia.
Fica um triste saldo de violência, a ser compensado ano que vem.
Que em 2014 a gente junte os cacos e saiba recomeçar, com o pé direito, sem cotoveladas, pedradas ou caneladas.
sexta-feira, 13 de dezembro de 2013
SEXTA-FEIRA, 12+1. BOA SORTE PRA QUEM LER!
Não sou supersticioso. Mas em respeito aos que são, evitarei mencionar palavras como o antônimo de sorte, por exemplo.
Escrevo este post sob o impacto do lustre de meu escritório. Exatamente 1h da manhã de hoje, o danado resolveu me tirar o sono, despencando do teto como um kamikaze doido e se espatifando retumbantemente no chão. Caco pra todo lado. Me dei bem duas vezes: primeiro, não caiu na cabeça de ninguém; segundo, não era um espelho, que, segundo dizem... deixa pra lá.
Depois da noite mal dormida, primeiro susto da manhã, minha caixa de emails exibe um emocionante comunicado do Serasa. Há um link, onde devo clicar pra resolver o que a mensagem classifica como "pendências". Obviamente não clico. Mas, pelo sim pelo não, ligo pro Serasa, apenas para ter certeza do que já desconfiava: email fraudulento. Ufa!, escapei de um virus, de um hacker, ou algo parecido.
Juntando os pontos até aqui, ô sorte!
Tudo na vida é questão de enquadramento. Se temos uma moldura negativa, as coisas sempre se encaixarão nela. Por outro lado, se nos livramos das molduras, descobrimos que há novos ângulos a explorar.
Resumindo, relaxe. O dia de hoje é uma sexta-feira como outra qualquer. Mas não é por isso que você vai se arriscar a passar por baixo de uma escada, certo? Nem vai insistir em cruzar com gatos pretos. Nem... ok, acho que está claro.
sexta-feira, 6 de dezembro de 2013
BATE-PAPO NA PAPUDA
- Será que alguém vai notar?
- É só um hotel em Brasília,
e tem nome de santo.
- Em inglês, e parece se
referir ao partido: Peter, PTr...
- Tá delirando. Só um
blogueiro maluco pensaria num troço desses.
- Mas os caras tão cheios de
história mal contada. O prédio é maldito, tem a mão do Sérgio Naya. Tudo em que
ele se mete, desaba.
- Bobagem.
- O hotel deles é controlado
por uma empresa de fachada no Panamá.
- E daí? Quem de nós não tem
uma empresinha off-shore pra esconder uma grana?
- É que a empresa deles tem
como principal executivo um auxiliar de escritório. Tremendo laranjão.
- Nossa especialidade.
- Pior que laranja, tá no
bagaço. O mesmo cara aparece como sócio de mil outras empresas. Não é um pouco
demais?
- Brasileiro não olha pra
essas coisas. Tá preocupado em ver quem cai pra segundona, sorteio da Copa, qual a próxima do Félix na novela...
- Sei não. Tem certeza de
que o salário deve ser mesmo tão alto?
- Claro. Tá esquecendo a caixinha?
- Caixinha?
- Fica tranquilo que teus
10% já tão reservados.
- Bom, se é assim...
segunda-feira, 25 de novembro de 2013
Os selfies que se phubbers.
A epidemia de likes e compartilhamentos que domina o planeta, além de múltiplas ansiedades, exibicionismo agudo, egos injustificadamente inflados, relacionamentos tortos e superficialidade crônica, tem nos brindado com novas palavras. Todas emanadas do inglês, of course. Nada contra, mas algo me diz que caminhamos pra um apartheid técnico-terminológico, que tende a criar uma interminável teia de guetos de solitários.
Quando olhamos fixamente para nossos smartphones, o que estamos realmente olhando? Espelhos? Nosso umbigo? E - mais grave - o que estamos perdendo?
As pessoas e coisas que circulam fora das telinhas hipnotizantes, até prova em contrário, são bem mais atraentes que sequências de postagens sem rumo. A não ser que estejamos enfeitiçados, não pelo que o aparelhinho nos conta, mas por nossos próprios reflexos, Narcisos patológicos do século XXI. Preocupados em clicar auto-retratos que nos mostram bem-sucedidamente felizes, pouco a pouco nos perdemos do conceito de felicidade. Aflitos por não perder nenhum pedacinho do que se comenta nas redes, construímos barreiras que afastam de nós a capacidade de reflexão, o pensamento crítico, a sensibilidade, a consideração e... os outros. Ah, sim, os outros. Pra que servem mesmo?
Vale aguçar o ouvido pra perceber que selfie soa parecido com selfish. E phubber também se parece com aquela palavra em português que, escrita com "ph", ganha alguns bônus de gravidade.
(Foto de autoria desconhecida, buscada no Google)
terça-feira, 19 de novembro de 2013
PARA PRESIDIÁRIO, EM QUEM VOCÊ VOTARIA?
Longe de mim estar sugerindo nomes ou tentando influenciar quem quer que seja. Achei a foto deste post no Google e a atitude do fotografado me levou a imaginar que ele nos fizesse a pergunta sobre um cargo que poderia muito bem pintar nas urnas eletrônicas.
Iniciado o processo de encarceramento dos corruptos brasileiros com a galera do mensalão, nada mais lógico do que listarmos nossos candidatos preferidos para completar a gloriosa equipe do sol quadrado. Repara só como abundam as fotos em que eles se divertem com essa possibilidade.
2014 vem chegando e o cenário eleitoral oscila entre o ruim e o péssimo. Tá muito mais fácil votar para presidiário do que para presidente, né mesmo? Então, por que não? Podemos criar na internet uma emocionante campanha repleta de currículos recheados de falcatruas, negociatas, contas misteriosas no exterior, patrimônios incompatíveis com as rendas etc. Facilitaríamos assim a missão de investigadores, promotores e juízes, declarando nosso apoio pra que sigam em frente na longa e penosa tarefa de engaiolar os que começam sorrindo com dedo em riste e terminam bicudos com magoados punhos erguidos. E eles facilitariam a nossa vida, riscando do mapa as candidaturas que estão ali só pra encher nosso saco e os próprios bolsos.
terça-feira, 29 de outubro de 2013
Como dizia Pessoa.
A foto de um texto faz sentido quando o texto é de quem faz arte com as palavras. Faz sentido mesmo que seja uma foto clicada às pressas numa exposição, mesmo que peque em luz, enquadramento, foco. A foto de um texto vale mais que mil palavras, mesmo que o texto fotografado não chegue às cinquenta, desde que a combinação dessas poucas palavras nos leve a mais de mil imagens.
A foto de um texto no Dia Nacional do Livro faz sentido, mesmo que o autor do texto não seja brasileiro, mas, sendo português, universal e brilhante, tenha lugar de honra nos corações brazucas. E o sentido se torna inquestionável quando o texto fala de literatura, de seu significado em nossas vidas, e do quanto o passar do tempo se torna irrelevante quando confrontado com a verdade em seu estado de poesia bruta.
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