sábado, 26 de outubro de 2013
Olho nos olhos.
Criar é ter um novo olhar. A campanha da F/Nazca para a Associação Pan-Americana de Bancos de Olhos confirma essa definição. Que insight! (sem trocadilho). Há ideias que geram prazer, outras que geram inveja. Essa ideia provocou tudo ao mesmo tempo. Como gostei de ter visto! Como gostaria de ter tido!
terça-feira, 15 de outubro de 2013
UMA PITADINHA DE BOM-SENSO NÃO É PEDIR MUITO, CERTO?
Chico Anysio era um mestre. Sua Escolinha do Professor Raimundo, mais do que fazer rir, dava o que pensar. Tudo o que acontecia em seu famoso quadro humorístico convergia para um bordão e um gesto que sintetizavam o grande absurdo brasileiro.
Em nossa história torta de poderes podres, a educação sempre foi relegada a segundo, terceiro, décimo plano. Situação que tem piorado nos últimos anos, com políticas que preferem achatar os critérios a melhorar a qualidade, arrumando mais o discurso do que a casa, buscando estatísticas bonitas que maquiam uma realidade feia que dói. Aliás, não me lembro de outro Governo tão dedicado a maquiagens e atitudes cosméticas como o atual.
Aproveitando que hoje é o Dia do Professor, aqui vai minha homenagem essa classe tão maltratada, junto com a lembrança de que, neste exato momento, cresce a pressão inflacionária, crescem os escândalos de corrupção, crescem os salários de cargos políticos, cresce a impunidade, crescem os índices de violência, cresce a manipulação do povo... e a educação, ó!
domingo, 6 de outubro de 2013
Artigo de Calcanhotto no Globo deste domingo lembra o Hino Nacional cantado por Vanusa.
Compositora e cantora de mão cheia. Admiro e respeito de montão o trabalho de Adriana Calcanhotto, a poesia de suas letras, a iniciativa bacana de criar uma persona dedicada ao público infantil... grande artista.
Por isso, estranhei seu artigo "Jornal de Domingo", publicado hoje no Globo. Espaço nobre, destacadíssimo no Segundo Caderno, e preenchido com um texto que, se estivéssemos nos anos de chumbo, equivaleria às receitas culinárias publicadas em protesto contra a censura.
Travessura praticada durante um surto Partimpim? Texto elaborado sob efeito de confusão mental? Delírio experimental com objetivo de gerar especulações como a que faço agora? Tudo pode ser. E, independente da hipótese verdadeira, não afeta o belo currículo de trabalhos com que Adriana nos brinda há tanto tempo. Fez lembrar o episódio de Vanusa embaralhando o Hino Nacional durante uma cerimônia, que virou piada na internet, mas não comprometeu seu histórico de serviços prestados à música brasileira.
Esquisito, constrangedor, evidentemente vazio... mas, acontece às melhores famílias.
Como diz a chamada para o artigo no alto da primeira página do Caderno, "Todo mundo espera alguma coisa do jornal de domingo". Só que por essa ninguém esperava.
Fazer o quê? Todo mundo tem o direito de derrapar de vez em quando.
sexta-feira, 6 de setembro de 2013
ESPERANDO OS BÁRBAROS ÀS VÉSPERAS DO 7 DE SETEMBRO.
A semana que desemboca nas comemorações da Independência no Rio está repleta de cultura. Depois de dois dias circulando na Bienal do Livro, que transborda de gente, estive na Art Rio, também muito frequentada. No lado literário, participando de mesa com um espanhol de pseudônimo inglês (Allan Percy). No lado das artes plásticas, surpreendido por uma argentina, cujo trabalho poderia ter sido a capa de meu livro "E. O Atirador de Ideias". Facas cravadas na parede, projetando de um lado, sombras; de outro, olhares: tudo a ver com meu protagonista, fascinado por atiradores de facas e buscando um ângulo criativo que o projete social e intelectualmente.
Graciela Sacco é a artista, ousada, provocante, suficientemente forte pra ser apresentada em projeto solo pela Galeria Rolf Art. Sua instalação "Esperando os bárbaros"vai além da imagem que mostro aqui. Há outras execuções, onde as facas são postas de lado, mas os olhares continuam, sempre atentos, numa expectativa assustada que nos conta muitas histórias. É um trabalho visual que, mexendo com a imaginação, nos leva a múltiplas narrativas. É, antes de tudo, um retrato do que vivemos hoje, em constante estado de alerta, observando pelas frestas uma onda crescente de manifestações contraditórias, que, enquanto discursam sobre avanços político-sociais, regridem nos fundamentos do comportamento civilizado.
Os olhos de Graciela Sacco são, ao mesmo tempo, os dos mascarados que nos tiram a paz, e os do cidadão comum, encurralado por mil preocupações, mas esperançoso de enxergar em algum ponto um pedacinho que seja de esperança.
sábado, 31 de agosto de 2013
DESMASCARAR É PRECISO.
O voto secreto é a máscara
que encoraja a manutenção do mandato de um deputado criminoso.
O lenço na cara é a máscara
que esconde o assaltante de diligências no velho oeste.
A camisa na cara é a máscara
usada por traficantes, terroristas e black blocs.
Entre todos os que praticam
o erro, só uma coisa é sempre certa: a máscara.
(foto buscada no Google, autoria desconhecida)
segunda-feira, 5 de agosto de 2013
HANNAH ARENDT, HITLER E OS PROBLEMAS DE COMUNICAÇÃO.
A história mostra a emoção
como incapacitante da razão, expõe a inflexibilidade dos prejulgamentos, a
quase impossível compreensão de argumentos quando se está acometido de cegueira
e surdez, por idolatria, paixão, ódio ou fanatismos em geral.
Filme fundamental em nossos
tempos intolerantes. Provoca reflexão sobre forma, conteúdo e contexto, e sobre
a necessidade de extrema cautela na exposição de raciocínios não maniqueístas
diante de plateias predispostas a refutar qualquer coisa que esbarre em suas verdades
absolutas.
Assisti ao filme na última
sexta-feira, depois de testemunhar uma longa série de discussões descalibradas
sobre política, religião e manifestações de rua.
Chega o sábado e leio no
Globo matéria sobre as fotos de Hitler, feitas por Heinrich Hoffman, enquanto o
futuro ditador ensaiava os discursos e gestos com que eliminaria o senso
crítico de multidões e arrancaria com tudo em sua trajetória insana. Por mais
propícias que fôssem as condições históricas, sociais e econômicas para a
ascensão de um "salvador da pátria", não me canso de ficar
impressionado com a patetice da figura, a teatralidade canastrona, o ridículo
absoluto que a maioria do povo alemão conseguiu desenxergar. Tudo tão ensaiado,
repleto de clichês e truques básicos de enquadramento, tudo obviamente
desumano, imoral, inaceitável, caminhando para a tragédia.
A história está cheia de acidentes de
comunicação. Melhor relembrá-los e preveni-los agora do que lamentá-los depois.
Num momento em que os diálogos se transformam em colisão de monólogos, e em que
os ignorantes on e off-line se acham
no direito de falar mais alto que todo mundo, vale redobrar os filtros do que
se ouve e prestar especial atenção naqueles que, mesmo timidamente, se atrevem
a discordar.(fotos extraídas da internet. Autores desconhecidos)
quinta-feira, 1 de agosto de 2013
DIVAGAR, E SEMPRE.
O que mais escrevo neste blog são divagações. Escrevo sobre o ato de escrever, sem plano de voo. Simplesmente teclo sobre o que me vem à cabeça, o mais próximo possível do que seria um bate-papo informal. Acredito que as melhores ideias nascem desse estado mental falsamente descompromissado em que nossas preocupações e encomendas criativas se escondem atrás de bobagens, risos e pés descalços, de preferência apoiados na mesa. Outro dia, conversando com meu irmão mais novo, pensamos no sucesso que faria uma linha de papel higiênico estampada com a foto de políticos. Imagine limpar a bunda com a cara do....... e da....... (complete a lacuna com seu corrupto / incompetente preferido), e ter o prazer de ver aquela figura envolvida pela matéria que melhor a define. Higiene e protesto num único ato de redenção e catarse, apenas um exemplo das muitas loucuras que podem surgir enquanto divagamos. Ideias às vezes implementáveis, às vezes só recreativas. Mas como é gostoso tê-las e poder compartilhá-las.
Divagar é necessário e urgente num mundo em que mais se reclama do que se pensa em soluções. E por falar em reclamação, desculpe se a política tem tomado mais espaço em meus textos do que eu gostaria. Não é assunto que me agrade, mas... você sabe... tá fedendo além da conta.
(A foto desta postagem foi buscada no Google. Seu autor não é mencionado)
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