sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

BATE-PAPO NA PAPUDA



- Será que alguém vai notar?
- É só um hotel em Brasília, e tem nome de santo.
- Em inglês, e parece se referir ao partido: Peter, PTr...
- Tá delirando. Só um blogueiro maluco pensaria num troço desses.
- Mas os caras tão cheios de história mal contada. O prédio é maldito, tem a mão do Sérgio     Naya. Tudo em que ele se mete, desaba.
- Bobagem.
- O hotel deles é controlado por uma empresa de fachada no Panamá.
- E daí? Quem de nós não tem uma empresinha off-shore pra esconder uma grana?
- É que a empresa deles tem como principal executivo um auxiliar de escritório. Tremendo       laranjão.
- Nossa especialidade.
- Pior que laranja, tá no bagaço. O mesmo cara aparece como sócio de mil outras empresas.   Não é um pouco demais?
- Brasileiro não olha pra essas coisas. Tá preocupado em ver quem cai pra segundona,           sorteio da Copa, qual a próxima do Félix na novela...
- Sei não. Tem certeza de que o salário deve ser mesmo tão alto?
- Claro. Tá esquecendo a caixinha?
- Caixinha?
- Fica tranquilo que teus 10% já tão reservados.

- Bom, se é assim...

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Os selfies que se phubbers.


A epidemia de likes e compartilhamentos que domina o planeta, além de múltiplas ansiedades, exibicionismo agudo, egos injustificadamente inflados, relacionamentos tortos e superficialidade crônica, tem nos brindado com novas palavras. Todas emanadas do inglês, of course. Nada contra, mas algo me diz que caminhamos pra um apartheid técnico-terminológico, que tende a criar uma interminável teia de guetos de solitários.
Quando olhamos fixamente para nossos smartphones, o que estamos realmente olhando? Espelhos? Nosso umbigo? E - mais grave - o que estamos perdendo?
As pessoas e coisas que circulam fora das telinhas hipnotizantes, até prova em contrário, são bem mais atraentes que sequências de postagens sem rumo. A não ser que estejamos enfeitiçados, não pelo que o aparelhinho nos conta, mas por nossos próprios reflexos, Narcisos patológicos do século XXI. Preocupados em clicar auto-retratos que nos mostram bem-sucedidamente felizes, pouco a pouco nos perdemos do conceito de felicidade. Aflitos por não perder nenhum pedacinho do que se comenta nas redes, construímos barreiras que afastam de nós a capacidade de reflexão, o pensamento crítico, a sensibilidade, a consideração e... os outros. Ah, sim, os outros. Pra que servem mesmo?
Vale aguçar o ouvido pra perceber que selfie soa parecido com selfish. E phubber também se parece com aquela palavra em português que, escrita com "ph", ganha alguns bônus de gravidade.

(Foto de autoria desconhecida, buscada no Google)

terça-feira, 19 de novembro de 2013

PARA PRESIDIÁRIO, EM QUEM VOCÊ VOTARIA?


Longe de mim estar sugerindo nomes ou tentando influenciar quem quer que seja. Achei a foto deste post no Google e a atitude do fotografado me levou a imaginar que ele nos fizesse a pergunta sobre um cargo que poderia muito bem pintar nas urnas eletrônicas.
Iniciado o processo de encarceramento dos corruptos brasileiros com a galera do mensalão, nada mais lógico do que listarmos nossos candidatos preferidos para completar a gloriosa equipe do sol quadrado. Repara só como abundam as fotos em que eles se divertem com essa possibilidade.
2014 vem chegando e o cenário eleitoral oscila entre o ruim e o péssimo. Tá muito mais fácil votar para presidiário do que para presidente, né mesmo? Então, por que não? Podemos criar na internet uma emocionante campanha repleta de currículos recheados de falcatruas, negociatas, contas misteriosas no exterior, patrimônios incompatíveis com as rendas etc. Facilitaríamos assim a missão de investigadores, promotores e juízes, declarando nosso apoio pra que sigam em frente na longa e penosa tarefa de engaiolar os que começam sorrindo com dedo em riste e terminam bicudos com magoados punhos erguidos. E eles facilitariam a nossa vida, riscando do mapa as candidaturas que estão ali só pra encher nosso saco e os próprios bolsos.

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Como dizia Pessoa.


A foto de um texto faz sentido quando o texto é de quem faz arte com as palavras. Faz sentido mesmo que seja uma foto clicada às pressas numa exposição, mesmo que peque em luz, enquadramento, foco. A foto de um texto vale mais que mil palavras, mesmo que o texto fotografado não chegue às cinquenta, desde que a combinação dessas poucas palavras nos leve a mais de mil imagens.
A foto de um texto no Dia Nacional do Livro faz sentido, mesmo que o autor do texto não seja brasileiro, mas, sendo português, universal e brilhante, tenha lugar de honra nos corações brazucas. E o sentido se torna inquestionável quando o texto fala de literatura, de seu significado em nossas vidas, e do quanto o passar do tempo se torna irrelevante quando confrontado com a verdade em seu estado de poesia bruta.

sábado, 26 de outubro de 2013

Olho nos olhos.



Criar é ter um novo olhar. A campanha da F/Nazca para a Associação Pan-Americana de Bancos de Olhos confirma essa definição. Que insight! (sem trocadilho). Há ideias que geram prazer, outras que geram inveja. Essa ideia provocou tudo ao mesmo tempo. Como gostei de ter visto! Como gostaria de ter tido!

terça-feira, 15 de outubro de 2013

UMA PITADINHA DE BOM-SENSO NÃO É PEDIR MUITO, CERTO?


Chico Anysio era um mestre. Sua Escolinha do Professor Raimundo, mais do que fazer rir, dava o que pensar. Tudo o que acontecia em seu famoso quadro humorístico convergia para um bordão e um gesto que sintetizavam o grande absurdo brasileiro.
Em nossa história torta de poderes podres, a educação sempre foi relegada a segundo, terceiro, décimo plano. Situação que tem piorado nos últimos anos, com políticas que preferem achatar os critérios a melhorar a qualidade, arrumando mais o discurso do que a casa, buscando estatísticas bonitas que maquiam uma realidade feia que dói. Aliás, não me lembro de outro Governo tão dedicado a maquiagens e atitudes cosméticas como o atual.
Aproveitando que hoje é o Dia do Professor, aqui vai minha homenagem essa classe tão maltratada, junto com a lembrança de que, neste exato momento, cresce a pressão inflacionária, crescem os escândalos de corrupção, crescem os salários de cargos políticos, cresce a impunidade, crescem os índices de violência, cresce a manipulação do povo... e a educação, ó!

domingo, 6 de outubro de 2013

Artigo de Calcanhotto no Globo deste domingo lembra o Hino Nacional cantado por Vanusa.


Compositora e cantora de mão cheia. Admiro e respeito de montão o trabalho de Adriana Calcanhotto,  a poesia de suas letras, a iniciativa bacana de criar uma persona dedicada ao público infantil... grande artista.
Por isso, estranhei seu artigo "Jornal de Domingo", publicado hoje no Globo. Espaço nobre, destacadíssimo no Segundo Caderno, e preenchido com um texto que, se estivéssemos nos anos de chumbo, equivaleria às receitas culinárias publicadas em protesto contra a censura.
Travessura praticada durante um surto Partimpim? Texto elaborado sob efeito de confusão mental? Delírio experimental com objetivo de gerar especulações como a que faço agora? Tudo pode ser. E, independente da hipótese verdadeira, não afeta o belo currículo de trabalhos com que Adriana nos brinda há tanto tempo. Fez lembrar o episódio de Vanusa embaralhando o Hino Nacional durante uma cerimônia, que virou piada na internet, mas não comprometeu seu histórico de serviços prestados à música brasileira.
Esquisito, constrangedor, evidentemente vazio... mas, acontece às melhores famílias.
Como diz a chamada para o artigo no alto da primeira página do Caderno, "Todo mundo espera alguma coisa do jornal de domingo". Só que por essa ninguém esperava.
Fazer o quê? Todo mundo tem o direito de derrapar de vez em quando.